Perspectivas que mudam a vida

Passamos muito tempo de nossas vidas questionando as coisas ou as pessoas, não percebemos que as coisas ou as pessoas são ou estão no modo em que olhamos.

Nosso olhar determina a direção e o entendimento que temos de nós mesmos e do mundo. Quando esse olhar está fixo, arredio a qualquer movimento, ficamos travados e perdidos, como diria a Antropologia: em suspensão, onde tudo é nada e tudo sendo nada, podemos ser tudo ou nada, pois estamos em estado de devir, aquele que é! (Filosófico demais, né?)

Hoje, meu aniversário (10/11), quis olhar para aquela que eu venho acompanhando há tempos…Um alguém que já falou de seus medos, disse ser um novo alguém e agora estou aqui, diante dela!

Ela não dorme mais, não como antes, onde dormir era refugio do mundo real. Ela está sentada, olhando para a vida, faz pose firme, como aquela que contempla, não aquela que espera. Entendeu que a vida é o instante que se vive, não um eterno lembrar de coisas boas ou um eterno planejar realizações.

Ela está concentrada, parece perceber minha presença, mas não quer interromper o momento sublime. Aguardo. Ela abre os olhos e me olha, e para o meu espanto, não sorri, apenas diz: Me conte sobre você!

Então, olho para o horizonte que estava a nos contemplar e começo a conversa enchendo o peito de ar e me deitando na grama. Entendo que o momento me permite relaxar e sentir as palavras, não temos pressa.

– Falar de mim, falar de ti, falar da vida! Mudamos muito, né? Mudei muito! Não sei se consigo chamar de amadurecimento ou apenas envelhecimento natural. Sei que hoje consigo ter mais paciência em esperar as oportunidades sem me preocupar com o resultado. Não sou refém das expectativas e não vivo apenas no futuro.

Aprendi a amar o presente, pois ele é a única coisa real que temos. Por conta disso, não vivo mais no mundo dos sonhos, continuo sonhando, porém, bem acordada! E acredite, é muito melhor sonhar assim! …rsrs

Sentimentos, um assunto que sempre me deixou inquieta, aliás, nos deixou inquietas, né? Somos reflexo uma da outra, você está dentro de mim e eu sou o seu exterior. Sentir é nossa forma de viver, logo, sentir intensamente é colocar em prática a ação de viver.

Meu coração também envelheceu, não posso dizer que se tornou mais duro, pois já não se apaixona ou se entrega mais, não de forma tão fácil como antes. Hoje ele se permite sentir de forma branda, avalia as condições de uma relação, seja com amigos ou um amor.

Depois de muito refletir, a gente começa a concluir algumas coisas que, na imaturidade da juventude, ficam obscuras e sem sentido. Os sentimentos só são intensos porque ficam livres demais. Não que eu queira prender ou deixar de sentir, mas entendi que para sentir não precisa ser de forma escandalosa, chamando atenção, pode ser tranquila, serena, quase uma valsa.

As pessoas estão mais complicadas, os pensamentos estão cada vez menos amáveis, e para pessoas como nós: com os sentimentos puros e alma transparente, viver diante de tanta superficialidade é cruel. Os humanos estão cada dia mais individualistas e a sensação que temos, é que estamos cada vez mais sozinhos, ou porque nos afastamos ou porque o outro se afasta.

Hoje te encontro aqui, sentada, de peito erguido, querendo respeitar seu tempo e vivenciar o que a vida tem de melhor: o presente, e me pergunto se algum dia a vida será plenamente assim: confiante e segura? Acredito que não, pois como aprendi com os medos, viver uma vida plena é ter o pacote completo, né? Não dá para pular os medos, as inseguranças, os erros se queremos nos sentir plenos.

Hoje olho para você e me vejo, sei que você me olha e se vê, e a leitura que faço é de uma mulher forte, que aprendeu que caminhar sozinha não é estar sozinha, que amar intensamente não é amar cegamente, que ter amigos não requer quantidade, mas qualidade, que uma notícia ruim pode e deve ser encarada com viés positivo, que a tristeza deve ser sentida e vivida, mas não assumida como direção.

Ser feliz requer equilíbrio espiritual, mental e físico, mas acima de tudo, requer uma consciência tranquila, com ações construídas com a base no bem, com o olhar cada vez mais humano para o ser humano, ter a compreensão de que o amor é um sentimento universal que deve ser espalhado com muita força e vontade! Bom, é isso que tenho para dizer, e você?

– Eu? …. Bom, só quero dizer uma coisa, aliás, pedir uma coisa: Contemple a vida para que ela te contempla de volta!

Ártemis

 

Desatando os nós

Nós damos nós na corda da Vida…mas isso não significa que são nós cegos, pelo contrário, eles só fixam as coisas ou pessoas na corda, eles podem ser desatados por nós a qualquer momento. Muitas vezes, alguns nós podem ser de outras pessoas, elas podem dar nós em nossa corda, assim como podem, também, desatá-los.

Uma coisa é certa, nada acontece porque tinha que acontecer, as coisas sempre terão motivos de serem. Se uma pessoa desata o nó e sai da sua vida, teve um motivo, assim como ela teve um motivo para atar. Um erro comum é acharmos que a vida é assim mesmo, muitos chegam, alguns seguem e outros ficam, de forma natural. Não! Não é natural, teve um motivo.

Um equivoco é nunca querer saber os motivos, o medo faz com que os equívocos prevaleçam, deixando nossas escolhas confusas, sem sentido. Achamos que estamos no caminho certo, já que a vida é assim mesmo e tudo ficará como deve ficar.

Quando deixamos o medo tomar conta da nossa corda, acabamos desatando muito mais nós do que atando novos. Nossa corda é dinâmica, por mais que se acredite em destino, planejamento antes de reencarnar, arquitetura espiritual, por mais que tudo isso faça sentido, existe o livre arbítrio para apimentar ou “desequilibrar” esse planejamento redondinho.

Quando temos certo que a vida está pronta e basta seguir, esquecemos que a vida está pronta apenas como um caminho, as escolhas que aparecem ao longo do percurso não estão programadas, aliás, são impossíveis de prever, porque elas são frutos do nosso livre arbítrio.

Tudo pode ser previsível: o tempo, o comportamento, as tendências…mas não se pode prever nossas escolhas diante dos fatos que podem surgir na caminhada, afinal, hoje somos uma pessoa, daqui a 1 minuto somos outra, já dizia o filósofo: Não se banha no mesmo rio duas vezes. O rio não será o mesmo e nem quem se banha será!

Acreditar que não podemos fazer nada diante do que está programado, é fugir do amadurecimento e deixar por conta do acaso. Nossa vida tem um piloto, tem tripulação e é cheia de imprevistos e desafios. Nosso livre arbítrio determina o ritmo e nossas escolhas o caminho!

Quando saímos do automático

Estamos em plena era digital, onde tudo foi substituído por aplicativos, sistemas e programações. Você não precisa mais se preocupar se tomou 2 litros de água ao longo do dia, porque tem um aplicativo que toca de hora em hora avisando que você precisa tomar água.

Não consegue se exercitar? Fica tranquilo! Tem um aplicativo que te manda caminhar quando percebe que você está muito tempo sentado. Tem muitos compromissos e não consegue se lembrar? Agenda no e-mail, afinal, ele fica 100% logado no celular, não que você receba muitos e-mails para ficar com ele aberto, mas é que ele controla a sua vida!

O que seria de algumas pessoas se a internet não existisse mais? Será que elas saberiam o que é dar um “Bom dia!” com a boca? Será que elas ficariam surpresas ao ver esse emotion –> 😀 no rosto de alguém? E ler uma carta escrita com letra de mão?

São Paulo, 10 de novembro de 2015

Saudades!

Olá Cinthia, como você está? Espero que esta carta te encontre muito feliz e cheia de novidades! Eu estou bem, minha mãe e meu irmão também estão! Como está a sua família? Espero que bem também.

Tenho tantas coisas para te falar, que nem sei por onde começar. Esse ano eu entrei  na faculdade, estou cursando Ciências Sociais, já estou terminando o segundo semestre! As notas estão boas, acredito que não ficarei de recuperação em nenhuma matéria. Como são 3 anos, ainda tenho mais 2 pela frente!

Não estou trabalhando, sai do emprego para fazer estágio na área, quero entrar o quanto antes nas escolas e nos projetos sociais, pois quando eu me formar, quero ter uma certa bagagem, tem que se preparar, não é verdade?

As amizades foram se perdendo ao logo do ano, neste momento, enquanto escrevo essa carta, posso afirmar que não tenho nenhum amigo 100% ativo na minha vida, todos estão por ai vivendo as suas vidas virtuais, acho que com você a coisa não deve estar diferente, afinal, somos tão parecidas no campo da amizade, né?

No amor é aquela velha história: sem saco para bancar a legal e sem pique para bancar a babá! Muito blá blá blá e pouca atitude, muito papo fiado e pouca inteligência, muita beleza e pouca essência, ou seja: solteira!

Ai amiga, sinto saudades de você! Trocaria mil cartas por 1 minuto ao seu lado, ouvindo a sua voz, olhando nos seus olhos, pegando na sua mão, bagunçando seu cabelo, vendo seu sorriso, caminhando do seu lado! ❤

Espero loucamente sua carta, quero saber como estão as coisas e quando vamos nos encontrar novamente. Lembro que você disse que: Amiga, não se preocupe! Logo eu volto e tudo será como antes! Te amo!

Fica na paz!

Com amor, Cinthia!

É… e se não existisse a internet? E se eu não tivesse desabilitado o meu aniversário no Facebook? Será que alguém lembraria que dia 10 de novembro é o meu aniversário? Acho que não…

A dor que o vazio traz

Muitas vezes quando estou recolhida em meu silêncio, minha mente fica vagando no tempo, buscando momentos alegres para deixar meu dia alegre. Isso acontece quando eu mergulho numa tristeza sem tamanho.

Por que será que isso acontece? Por que a vida vira assim, sem mais nem menos? Acredito que não seja sem mais nem menos para os outros, para quem decidiu mudar, fugir, sair, ficar preso dentro de si, mas para quem ficou do lado de fora, para quem ficou falando sozinha, para quem acordou e se vi viu sozinha, a vida mudou do nada.

Quando isso acontece, você fica perdida, você fica se perguntando mil coisas: onde errou? O que falou? Qual atitude magoou? …Fica buscando respostas para as perguntas que vão surgindo, as respostas não virão, mas as lágrimas sim. Essas surgem toda vez que as lembranças trazem cenas, como um filme num cinema vazio, onde a platéia são seus olhos e o silêncio representa o sentimento em que sua alma se encontra, no nada existencial.

Por que as pessoas são assim? Por que ela se fecham em seus mundos quando bem entendem sem se importar com quem fica fora? Será que elas não percebem que o mundo é feito de sentimentos compartilhados? Será que é medo de receber tamanho amor? Por que as pessoas saem correndo e te deixam falando sozinha? O que será que falei? Não percebi em momento algum ter ferido sentimentos ou causado mal estar. Será que são as pessoas que não têm coragem de serem sinceras e fogem para não encarar a si mesmas?

Fico vagando no mundo das lembranças, tentando me fortalecer no que já foi sentido para continuar seguindo. Apesar da dor que dilacera o coração, a vida tem que seguir. Mesmo sem as respostas, a vida tem que seguir.

E quando você percebe que o lugar foi preenchido? Por quê? Como eu perdi o espaço que tinha? Por que você conversa com outras pessoas sobre assuntos que eram tão nossos? Por que os seres humanos são substituíveis em certos momentos?

Um dia alguém me disse: “Quando eu não sei lidar com o que sinto, eu fujo, eu me afasto, saio de cena sem dar a menor explicação!” Então eu falei: “Mas você não pensa em quem fica? Na dor de quem fica sozinho a olhar você sumir cada vez mais e com ares de quem não vai voltar? …”Não penso em nada, saio correndo! Não sei como agir, nem tão pouco sei o que dizer, a única coisa que sei, é que preciso sair correndo, preciso ficar só comigo…”

A leveza do gesto de sair correndo, de se fechar em si, de ficar em silêncio pode ser libertadora para quem decide ir, mas a leveza sentida pelo o ser que fica, é dolorosa demais, sufoca, tira o chão, desnorteia, tira o foco, o mundo gira…

Quero responder já que não tenho respostas: Fique sabendo que dói … ficar sem respostas dói… perceber no olhar a indiferença do recolhimento, dói … respeitar o silêncio, dói… ver seu perfil sumindo no horizonte, dói… ficar sozinha sem ao menos saber o motivo, dói… admitir que queria ir junto, dói… saber que não pode ir junto, dói… entender que deve olhar para frente e seguir, dói… tudo que fica, quando as pessoas se vão, causa dor… A insustentável leveza do ser, dói… o vazio dói…

 

Um novo alguém

E por muito tempo ela dormiu! Eu fiquei aqui observando e vivendo. Amanhecia e eu seguia, caia à noite e eu voltava… e nesse baile natural, os anos se passaram, pássaros voaram, borboletas nasceram, flores murcharam…e ela acordou!

Fico agitada! Nossa, quem será esse ser que desperta? Quem será esse ser, que até hoje não sei seu nome ou será que sei? Quantas coisas tenho para perguntar, para contar. Será que ela é mais feliz hoje? Será que eu sou mais feliz hoje? Será que mudamos muito ou será que nada mudou?

A última coisa que conversamos foi sobre os medos, lembro que foi bem intenso. Hoje talvez ela não tenha mais tantos assim ou aprendeu a lidar com os que já tinha. Nossa, que euforia! Quero que ela me veja, quero olhar para ela, perceber o seu despertar manhoso, como quem não quer levantar, quer ficar mais 5 minutinhos de olhos fechados.

Ela me olha, me encara fixamente, parece confusa, parece não me reconhece, mas assim que arregala os olhos e percebe que sou eu, ela abre um sorriso tão bonito, talvez não acredite no que está vendo, o tempo passou e eu continuei ali velando seu sono, cuidando da vida mas sem deixar de observá-la.

– É você! Como me alegro por ser a primeira pessoa que vejo ao despertar. É tão rara a minha vinda para a sua realidade, sempre fico bem no interior do meu eu, do seu eu. Acho que já notou que mudei, né? Estou mais falante…rsrsrs…e menos receosa ao me aproximar de você…

– Uau! Sério mesmo que é você? Como está mudada, parece mais confiante, mais segura de si, parece que descobriu o amor! Como foram esses longos anos de profundo adormecer?

Ela se ajeita, se recompõe, desperta de fato e como quem se prepara para uma longa conversa, fecha os olhos por alguns instante, num gesto de quem busca, de forma profunda, todo o conhecimento que se deseja expor, então começa:

– Sinto que mudei mesmo, na verdade amadureci. Ainda tenho os mesmos medos, porque descobri que certos medos não perdemos nunca, pois eles fazem parte do nosso aprendizado. Viver sem medo significa não ter mais nada para aprender, não ter mais nenhum horizonte para conhecer, não ter mais o que arriscar. Os medos fazem parte da nossa caminhada e é normal senti-los. Mas cuidado! Não podemos ser reféns por achar que temos que sentir, os medos existem e devem ser ultrapassados em seu grau momentâneo, para que ele evolua junto com a alma.

Quando nos falamos da última vez, eu ainda não sabia quem eu era, parecia que tinha acabado de nascer. Nesse meu longo período de hibernação espiritual, muitas coisas foram reveladas, muitas palavras foram ditas, muitos sentimentos foram sentidos e um mundo novo se abriu diante de mim.

Fui até esse mundo que eu já fazia ideia que existia. Quis saber mais sobre ele, quais eram seus habitantes, como era sua organização, qual influência exercia em mim. Percebi em pouco tempo de chegada que, tudo que existia nele, também existia em mim. Eu sempre fiz parte dele, nunca fora imaginário, sempre foi o meu lar, onde me refugiava para sarar o carte, para sanar a dor, para receber a orientação, para ter sustentação, para me banhar de luz e de muito amor.

Existe um mundo dentro de nós, cujo guardião de sua chave fala conosco o tempo todo. Pare um momento e ouça, ele grita! Ele faz seu coração pulsar, acelerar, serenar. Ele faz sua alma vibrar, sua energia irradiar, seu poros captarem.

Me deixei levar por esse guardião que sempre esteve comigo e que agora, nunca mais deixarei de estar com ele. É como se eu também estivesse dormido por muito tempo lá, e ele também velou meu sono. Mas não é como você, que vela aquela que está dentro de você, ele vela aquela que pertence àquele mundo, aquela que é dona da chave que ele tem a missão de guardar e entregar sempre que ela regressar.

Não sei dar nome a esse mundo, pode ser o mundo dos sonhos, o mundo da imaginação, o mundo dos sentimentos ou até mesmo o mundo espiritual. Acredito que o nome é a última coisa que queremos saber quando se está nele, pois o turbilhão de coisas que vão acontecendo são bem mais relevantes, querer captar cada sentimento, gravar cada mensagem, assimilar cada lição. E como é bom estar lá, tudo parece fazer sentido, tudo ganha uma compreensão fora do comum, diria que é transcendente, não consigo encontrar palavras para descrever.

O que posso te falar é que, uma vez lá, nunca mais se retorna ao que era. Sua visão ganha uma clareza, percebe-se que se esteve o tempo todo cega, não adormecida, cega mesmo. Pois eu estava lúcida quando via fragmentos desse mundo em meus sonhos, mas a cegueira espiritual, me deixava em volta à uma camada densa de nevoa, então você abre a porta e o sol limpa tudo, e como é bom!

Acho que hoje quem vai ficar em silêncio será você, né? …rsrsrs… Retorno de um logo sono e nem deixo você falar sobre você… é que foi tão bom estar lá que logo você vai sentir tudo isso, aliás, acho que já está sentindo, não é? Vejo em seus olhos o brilho que ganhou com o meu retorno, e como você sente tudo o que sinto, já deve saber do que eu estou falando, não é?

– Sim! E nossa, como é bom!….

Ártemis 

Como eu odeio os covardes!

Por mais que o tempo passe, meu coração não consegue deixar de sentir amor por você. Acredito que esse sentimento tenha perdurado pelo fio do tempo, e como não foi vivido em sua intensidade, ou talvez, nem se quer teve oportunidade de existir, ele veio vida após vida, no anseio de poder te encontrar.

Meu coração é teimoso, se entrega aos devaneios da vida, mas ele também é muito sábio, ele sabe o que está fazendo e o que sente quando te vê. Você não sente que ele te reconhece? Você não percebe que ele quer estar aonde o seu coração está?

Nossas almas se conhecem e se pertencem, em meus sonhos elas vivem livremente esse amor, deve ser por isso que é tão chato acordar, porque privo duas almas de se amarem. Por que você dorme em sua existência? Por que você insiste em achar que não sabe ou que não nasceu para amar?

Muitas vezes fico pensando se devo me declarar e esperar sua reação. Se devo lhe apresentar o amor em forma de gesto e esperar sua compreensão. Peço aos céus uma luz, porque apenas sentir já não basta mais, eu quero viver! Quero dividir momentos com você!

Parece loucura, a dor é física mas o sentimento não é de agora, não te conheci hoje, nem tão pouco ontem. É tão claro pra mim que esse amor não é de hoje, mas o que acontece com esse coração que passou toda uma eternidade a vagar pelas existências e quando se depara com o que buscava, simplesmente não consegue avançar? Não consegue ir além do sentir?

Deve ser o medo da rejeição, já que você não reconheceu a alma que traz essa marca, ou deve ser um sinal para que esse amor não seja vivido. Pode ser que, na verdade, esse amor nos trouxe muitas dores e eu carrego o fardo de senti-lo com a missão de superá-lo, mas como saber?

Queria muito acreditar no meu sexto sentido que diz: Você está certa! Sinta esse amor! Viva esse momento glorioso, onde sua caminhada chegou ao final, vai lá e conquiste o que já é seu, mas que precisa de uma ajudinha para se recordar.

Como eu tenho medo de te perder, mesmo sabendo que a perda na vida terrestre é algo inerente a própria vida em si, que os caminhos podem a qualquer momento se dividirem e que o encontro pode ser prorrogado por mais alguns instantes.

Queria ter a coragem de falar o que sinto! De não ficar apenas te observando de longe, sentindo sua energia emanando, ver o sorriso rindo para outras pessoas, seu olhar se perdendo em outros horizontes. Como queria fazer parte da sua rotina, receber uma ligação sua sem nenhum motivo aparente, te visitar no fim da tarde e te chamar pra jantar em plena terça-feira.

Querer viver um amor verdadeiro é algo realmente muito especial, porque só quem sente, entende que é amor e que é especial, mas nem sempre, o ser que é a direção desse sentimento, sabe o que se passa e muito menos pode retribuir. Como eu odeio os covardes, como eu me odeio…

Ártemis 

E se eu morresse agora?

A vida sempre nos ensina e nos mostra, todos os dias, que tudo, exatamente tudo, que nos acontece é importante. E diante disse, hoje me peguei pensando:  E se eu morresse agora?

Pois é, e se eu morresse assim que eu terminasse esse texto? A resposta é complexa, porque é uma pergunta ampla demais, muitas coisas poderiam acontecer como nada poderia acontecer. Então, fragmentei meu pensamento:

Como eu deixaria o mundo se eu morresse agora? Eu enquanto cidadã, deixaria planos em andamento, uma filosofia de vida jogada no ar e muitos futuros alunos órfãos de um desejo enorme de ensinar.

Eu enquanto filha, deixaria uma mãe que sei que me ama, mesmo não demonstrando isso como quase todas as mães fazem, pois ela foi criada dentro de uma cultura que distanciava os filhos dos pais, para deixar claro o respeito e quem mandava na casa.

Eu enquanto irmã, deixaria um irmão mais triste do que já é, pois, se ele se sente sozinho tendo a mim e a minha mãe, imagina ele sem uma das duas. Acredito que os dois superariam a falta e seguiriam, mas tendo em mente que a casa nunca mais seria a mesma e a vida teria perdido uma cor.

Eu enquanto mãe, não teria vivido nada a não ser a expectativa de ter em meus braços Sophia e Thomas. Um amor que já existe mesmo sem ter nenhuma razão ou motivo para isso, ele existe e morreria junto comigo, já que eles nunca existiriam sem mim.

Eu enquanto mulher, partiria feliz porque partiria amando, com o coração a mil, pra variar. O fato de estar só nunca representou não amar alguém, pelo contrário, para mim, estar só representa ser fiel a mim mesma e só me jogar de cabeça naquilo que acredito, naquilo que me encanta, me causa admiração.

Eu enquanto amiga, deixaria alguns amigos com a relação estremecida e até mesmo, rompida. Talvez esses amigos pensariam: “Putz! Ela se foi e eu nem pude dizer o quanto me fez falta a amizade dela!” … Talvez teria alguém que diria: “Já vai tarde!” (não acho que sou amada por todos os seres)… Alguns pensariam: Qual foi a última vez que eu a vi? (chegariam a conclusão de que faz anos e que agora não teria mais que contar os anos)… Outros chorariam a perda porque não souberam ou não puderam aproveitar o tempo que tivemos… Os mais próximos dariam risada lembrando da última piada que fiz sobre qualquer assunto e o quanto eu os amei até o último instante…

Eu não sei como seriam os pensamentos e os sentimentos dos outros, mas sei que se eu morresse hoje, partiria com a consciência de que sim, poderia ter feito as pazes com as pessoas que optaram por se distanciar ou por simplesmente não mais ter contato. Poderia sim, dizer que percebo quando não mais completo uma lacuna na vida das pessoas e sou substituída por outras amizades, que se tornam mais próximas ou mais representativas no momento atual dos meus amigos. Poderia sim, ter ficado ou até mesmo namorado, mas preferi deixar o amor eternizado na amizade que é especial e sempre será.

Poderia ter dito para a minha mãe que ela pode me abraçar e me beijar, minha avó aprovaria esses gestos de amor. Poderia dizer para o meu irmão que, se eu pudesse, realizaria todos os sonhos dele se, com isso, eu conseguisse tirar mais sorrisos dele.

Poderia ter dado mais broncas nas pessoas imaturas e ter evitado sofrimentos desnecessários para o ser humano. Poderia ter desencanado mais com as coisas que vi e senti…poderia ter feito tudo de forma diferente…

Eu poderia ter sido ou ter feito tudo de forma diferente, mas seria arriscado demais, pois eu poderia não ter todas essas palavras e nem todos esses sentimentos a flor da pele, então eu não seria quem eu sou, eu não escreveria esse texto e eu não morreria feliz, pois nada teria sido assim, se eu morresse agora!

Ártemis